Mais do que um gesto de amor e troca de carinhos e cumplicidade entre mãe e filho, amamentar é um ato de saúde. Muitas vezes pode se pensar que o benefício maior esta em fornecer os nutrientes indispensáveis para o desenvolvimento do pequeno, mas o ato de amamentar vai muito além da alimentação do lactante, os benefícios não são exclusivos da criança. Está comprovado que amamentar reduz as chances da mamãe desenvolver doenças como câncer de mama, hipertensão, osteoporose e ainda é uma maneira natural de “turbinar” os seios e queimar aqueles quilinhos extras adquiridos na gravidez. Tamanhos são os benefícios que não é à toa que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses e a amamentação continuada até a criança completar dois anos de idade. “Esse prolongamento é uma forma de proteger a criança que até os cinco anos não tem seu sistema imunológico plenamente desenvolvido, além de beneficiar também a própria mãe”, constata Yara Ota, pediatra do Hospital Sepaco, em São Paulo.
Leite materno: poderoso aliado das mamães
O aleitamento materno cria, para as mães, uma barreira de proteção contra os cânceres de mama, útero e ovário. Pesquisas apontam que os riscos de câncer mamário chegam a diminuir 4,3% a cada doze meses de amamentação. “Os níveis de estrogênio e progesterona (associados ao risco da doença) diminuem durante a lactação, reduzindo as chances da mulher desenvolver a doença”, explica a mestre em saúde coletiva e promotora do aleitamento materno Mônica Macau Lopes. Mas para usufruir dos benefícios, seis meses não são suficientes. Especialistas recomendam prolongar o aleitamento por, no mínimo, um ano.
Se espantar o mal que mais mata mulheres no país já é uma vantagem, imagine ser capaz de impedir o desenvolvimento de diabetes nos pós-parto? Com a amamentação, isso é possível. “Ao contrário da gravidez que favorece o aparecimento da doença, a lactação diminui a necessidade de insulina no organismo feminino, reduzindo os riscos da mulher contrair diabetes mellitus“, justifica Mônica. Osteoporose, hipertensão, doenças cardíacas e derrames também passam longe das mamães em aleitamento. “Ao amamentar, a mulher tende a adquirir hábitos de vida e dietas equilibradas que reduzem os depósitos de gordura no corpo e facilitam a circulação sangüínea e a manutenção da pressão”, argumenta a especialista.
As mamães mais vaidosas também podem se animar. Está comprovado que alimentar a criança auxilia a mulher na volta à boa forma. “A produção do hormônio ocitocina na amamentação e o gasto de energia para a produção do leite proporcionam maior rapidez na diminuição do volume do útero e na perda dos quilinhos adquiridos na gestação”, garante Maria Lúcia Futuro Mühlbauer, integrante da ONG Amigas do Peito. “Além disso, a amamentação provoca contrações uterinas que evitam infecções e hemorragias pós-parto”, acrescenta a especialista.
Até a tão sonhada “turbinada” dos seios pode ser obtida de forma natural e sem contraindicações. “No terceiro dia pós-parto, os seios dobram de volume em função da produção do leite. E mesmo após o término do aleitamento é muito comum o relato da permanência das mamas aumentadas”, confirma Mônica que garante que o leite materno é uma arma poderosa para quem não deseja a produção em série dos pequenos. “Nos primeiros seis meses de vida da criança, a amamentação diminui a fertilidade da mulher, praticamente suprimindo a ovulação feminina durante as menstruações”, explica Mônica. Mas atenção: o método não é totalmente seguro, por isso é recomendável precaução com auxílio de métodos contraceptivos.
Bebê: o maior beneficiado
Mesmo com os anticorpos recebidos de sua mãe através da placenta, ao nascer, o bebê possui um sistema imunológico muito fraco e precisa de uma proteção extra para enfrentar os perigos do mundo exterior. A amamentação é responsável por esse ganho de segurança. Está comprovado que crianças amamentadas por um bom período têm menos chances de contrair infecções ao longo da vida. “Ao contrário do leite artificial, o materno está livre de bactérias e é rico em anticorpos, proteínas e glóbulos brancos que ajudarão o bebê a afastar doenças comuns da infância como: meningite, pneumonia, bronquite, diarréias, alergias e infecções de ouvido e do trato respiratório”, confirma Yara. Recente estudo feito na Universidade de Southampton, no Reino Unido, concluiu que amamentar é uma forma de prevenir a obesidade infantil, sem falar no ganho de imunidade emocional. “O bebê amamentado têm todas suas necessidades plenamente satisfeitas não só de alimento como de afeto e atenção. Um bebê tranquilo tem menos chances de adquirir qualquer doença”, acrescenta Mônica. De fato, não há dúvidas de que um vínculo afetivo é criado: “A amamentação é o primeiro contato entre mãe e filho e nele há uma troca intensa e constante de amor e carinho, gerando segurança e tranqüilidade para ambos”, reforça Yara. Esse equilíbrio emocional otimiza o desenvolvimento infantil, tornando a criança mais confiante na relação com as outras pessoas e com o mundo.
Veja reportagem na intrega: http://msn.bolsademulher.com/familia/materia/dupla_protecao/85379/1